22 Apr 2019

Soja fecha mais um dia em queda com foco na nova safra dos

Publicado em Notícia Actualités
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O mercado internacional da soja registrou mais uma sessão negativa nesta terça-feira (15) na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa recuaram frente às boas condições da nova safra norte-americana, porém, no encerramento do pregão, o que se observou foi uma falta de direcionamento bem definido para as cotações. O contrato agosto/14 fechou o dia valendo US$ 11,80 por bushel, recuando 3,75 pontos; o setembro ficou em US$ 11,04, perdendo 3,75 pontos.

O contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana e a posição mais negociada nesse momento, ficou em US$ 10,86/bushel, sem variação. O dia terminou com mais de 100 mil contratos sendo negociados nesse vencimento.

De acordo com números do último boletim de acompanhamento de safras divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) 72% das lavouras de soja do país estão em boas ou excelentes condições, configurando a melhor classificação para os campos norte-americanos desde 1994. A área de plantio estimada pelo órgão para esta temporada 2014/15 é de mais de 34 milhões de hectares.

Com essas informações, as expectativas de que os Estados Unidos colherão uma grande safra seguem se fortalecendo. Paralelamente, as condições de clima também são muito favoráveis e complementam o cenário muito positivo para a colheita norte-americana.

Até o final de agosto, período em que o clima é determinante para a efetivação da fase de enchimento dos grãos nos Estados Unidos, o tempo deverá ficar dentro da normalidade, com temperaturas amenas, adequadas e chuvas dentro do normal, segundo explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest. «A não ser que algo mude em termos de clima, os Estados Unidos caminham para uma produtividade recorde» diz. O USDA estimou o rendimento em mais de 51 sacas por hectare.

Impactos da Demanda

Preços mais baixos, no entanto, podem atrair um movimento mais expressivo da demanda mundial por soja e criar um suporte, ou amenizar as perdas que podem ser sentidas em Chicago a medida em que a nova safra dos Estados Unidos vai se concretizando.

«A demanda começa a aparecer daqui a pouco de forma mais significativa, pois o foco agora está todo no oferta. Mas, a medida que os números da oferta sejam absorvidos e embutidos nos preços, nós começamos a focar um pouco mais sobre a demanda e com isso eles voltam a dar algum suporte ao preços», explica Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar. «Não digo que voltaremos aos patamares de 2012, 2013, mas acredito que podemos parar de cair com a intensidade que vimos recentemente. A queda foi dramática, mas há um potencial de recuperação mais a frente», completa.

Margens de Esmagamento

Porém, Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest, lembra da importância de se observar as margens de esmagamento, principalmente em países importadores, para que se entenda a força que essa demanda tem e pode registrar mais adiante, inclusive frente a esse novo quadro de oferta global. Afinal, não é esperado um crescimento só na safra norte-americana, mas também na produção mundial. O USDA estima que a safra 2014/15 de soja some 304,79 milhões de toneladas, com estoques finais na casa das 85 milhões. Na temporada anterior, esses números foram de 283,79 milhões e 67,17 milhões, respectivamente.

A Associação Nacional dos Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) reportou, nesta terça-feira (15), seu boletim mensal sobre o esmagamento de soja nos Estados Unidos. A instituição informou que, em junho, foram processadas 3,23 milhões de toneladas da oleaginosa. O número ficou ligeiramente abaixo do registrado em maio deste ano, quando foram esmagadas 3,51 milhões de toneladas.

Nesse momento, nos Estados Unidos, a margem é boa, o que vem garantindo o esmagamento no país e deve estimular as indústrias a registrarem um nível mais elevado no próximo ano. Já no Brasil, em contrapartida, a situação não é tão favorável, com os produtores segurando a oferta, impedindo que as indústrias possam alongar sua programação.

Na China, por enquanto, a margem é negativa. «A China tem uma posição, nos Estados Unidos, para a safra nova, de quatro milhões de toneladas a menos do que foi registrado na mesma época do ano passado, reflexo das margens ruins no país», explica o Eduardo Vanina. Segundo o analista, esse quadro se dá por conta dos elevados estoques de soja nos portos chineses - que passa de 7 milhões de toneladas, contra algo entre 4 e 5 milhões no anterior - e os elevados estoques comerciais de farelo na nação asiática, os quais também estão acima da média.

As margens da suinocultura, que é o maior consumidor de ração na China, também vêm negativas e contribuem para esse quadro. Além disso, o país ainda sofre com os abates sanitários de aves ocorridos em 2012 e 2013 também. «Isso vem colaborando por uma demanda por farelo na China aquém do que necessário para diminuir os estoques de farelo e também de soja em grão no país», explica.

Apesar disso, o USDA anunciou, nesta terça-feira, a venda de mais 120 mil toneladas de soja da safra 2014/15 para a China. «A gente espera que a demanda volte, mas isso depende também do comportamento do farelo e do óleo, que é o que compõe, no final das contas, as margens de esmagamento», completa.

Fonte : Notícias Agrícolas // Carla Mendes

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