22 Feb 2019
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Multiplicação das regulamentações, mudanças climáticas, gestão dos recursos hídricos e volatilidade dos preços das matérias-primas agrícolas são, no seu conjunto, fatores que conferem à indústria da proteção vegetal um papel de crescente importância, baseado num leque cada vez mais amplo de soluções adaptadas às emergentes problemáticas. Contamos com algumas respostas de Markus Heldt, presidente do departamento de proteção de culturas do grupo alemão BASF.

Markus HeldtAgriculture Internationale - Proliferam as regulamentações a nível regional num mercado globalizado. Esta antítese pode ser um obstáculo à aplicação das inovações BASF? Serão alguns países mais ameaçados que outros por esta situação?

Markus Heldt – Regra geral, somos favoráveis à troca de conhecimentos, à partilha das melhores práticas e à cooperação com as autoridades a nível mundial. No entanto, as regulamentações devem ser sempre concebidas para o equilíbrio da justa medida e da precaução. As legislações devem ser claras, fiáveis e aplicáveis. Deve também ser implementado um reexame aprofundado da eficácia dos processos legisladores existentes para suporte da inovação. Na Europa, o recente desenvolvimento em matéria de gestão de riscos, bem como as políticas de regulamentação, são passíveis de ter um impacto negativo no panorama geral da inovação.

A.I. - O grupo BASF aspira a desenvolver soluções que ultrapassam o domínio da proteção das plantas. Falamos, por exemplo, dos produtos para a gestão dos recursos hídricos. Porquê estas preocupações e quando podemos contar com a chegada destas inovações?

M.H. - Os produtores confrontam-se com diversos desafios. Para mais, é necessário combater as pragas e as infestações. Geralmente, os contingentes ambientais como a escassez de nutrientes, as secas, o calor e as condições meteorológicas desfavoráveis podem limitar a possibilidade de obtenção do máximo potencial das suas culturas, isto em termos de potencial de rendimento e de saúde das plantas.

A BASF procurou saber junto dos produtores quais seriam os desafios mais significativos com que os mesmos se deparavam. Chegámos à conclusão que um deles consiste na irregularidade crescente da disponibilidade da água, o que causa problemas à produção agrícola. A título de exemplo, temos um aumento das perdas devido às secas nas grandes culturas, perdas de rendimento e de qualidade devido às grandes quantidades de sal e à contaminação das águas utilizadas para irrigação. A necessidade de água doce ultrapassa a sua disponibilidade.

A BASF foca-se no desenvolvimento de produtos que ajudem as plantas a utilizar a água de forma mais eficaz, com vista a ajudar os agricultores a reduzir a necessidade de irrigação e melhorar o seu rendimento. Esperamos fazer chegar ao mercado uma solução de gestão de água até 2015.

A.I. - Defende uma ponderação inteligente das vantagens tecnológicas e das práticas agrónomas. Crê que esta postura já foi apreendida tanto pelas instâncias políticas como pelos produtores?

M.H. - Se a sociedade quer trazer soluções aos seus problemas, tais como os que se relacionam com a alimentação, a segurança e a durabilidade da água e da energia, a tecnologia é um fator chave. Hoje, cresce a inquietude em relação ao equilíbrio necessário entre princípio da precaução e justa medida. Teme-se que o primeiro prevaleça em desvantagem do segundo, evitando-se assim todo e qualquer risco associado à tecnologia.

Por outro lado, seguir boas práticas agrícolas é essencial para combinar performance e eficácia. Nós oferecemos apoio aos agricultores através de diversas iniciativas de partilha de conhecimento, tal como por meio de soluções inovadoras que vão mais longe que a simples proteção das culturas.

genetically modified soybeansA.I – Em algumas regiões, a BASF pôs em prática soluções de financiamento bem como trocas de cereais. Quais são os potenciais beneficiários destas iniciativas, as condições de acesso e os efeitos previstos?

M.H. - Estes programas de financiamento e de trocas são soluções que visam ajudar os nossos clientes a reduzir os seus riscos financeiros em alturas de baixa dos preços das matérias-primas agrícolas. A BASF tem hoje programas que estão a ser bem-sucedidos no Brasil, Argentina, EUA, Canadá, Ucrânia, Rússia e Itália. Regra geral, a BASF garante um dado preço para a colheita do seu cliente. Isto quer dizer que há mais segurança para planear a compra de produtos para proteção das culturas. A escolha destes países, das culturas e dos modelos financeiros específicos é feita conjuntamente pelas nossas equipes de marketing, vendas e serviços financeiros, tendo sempre em conta as condições dos mercados e as necessidades do cliente.

Na maioria dos casos, as condições do programa estão ligadas aos nossos programas de fidelização de clientes. No caso específico da América Latina, também desenvolvemos programas em colaboração com empresas de negociação de matérias-primas. A experiência mostra-nos que os nossos clientes estão satisfeitos com as nossas ofertas. Assim, justificam a aquisição dos produtos BASF como uma troca que lhes oferece proteção de riscos maiores.

A.I. - Dadas as evoluções climáticas que se verificam e as soluções que podemos esperar da biotecnologia, quais serão os critérios de base para a vossa futura investigação?

M.H. - Somos uma empresa de química global e integrada, e, como tal, pretendemos promover as nossas soluções inovadoras e sustentáveis enquanto agentes mediadores, nos domínios onde nos confrontamos com sérios desafios. Dada a nossa competência em investigação e desenvolvimento, podemos ajudar os nossos clientes a encontrar respostas para as atuais e futuras necessidades da sociedade.

É algo que fazemos graças à nossa posição única de empresa de química global e integrada: a nossa excelência operacional, o nosso conhecimento do mercado e as nossas relações com os clientes conjugam-se perfeitamente com essa nossa competência em investigação e desenvolvimento. Estamos permanentemente a inovar com vista a um futuro sustentável.

 

 

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